18 August 2005

A elegância do comportamento

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara, hoje em dia: a elegância do comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora do dia, até a hora de dormir, e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.

É possível detetá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam, nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe das fofocas, das maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detetá-las nas pessoas que não usam um tom superior de voz, nas pessoas que evitam assuntos constrangedores, porque não sentem prazer em humilhar os outros. É possível detetá-las em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que antes pergunte quem é, e só depois manda dizer se está ou não está.

É elegante não ser espaçoso demais. É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao dos outros. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade, como elegante é o silêncio, diante de uma rejeição. Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto amoroso.

Atitudes gentis são elegantes, falam mais do que mil imagens. Abrir a porta para alguém é muito elegante, oferecer o lugar para alguém se sentar é muito elegante.

Sorrir, sempre é elegante e faz um bem danado para a alma. Oferecer ajuda é muito elegante. Olhar nos olhos, ao conversar, é essencialmente elegante.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a viver nele sem ser arrogante. Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.

Educação enferruja por falta de uso. Há que se praticar continuamente este “músculo”.

(baseado no texto “Educação enferruja por falta de uso” de Henri Toulosse Lautrec)

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