22 October 2004

Comunicar é compartilhar

Na comunicação compartilho, troco, interajo - ajo em conjunto com - por meio das palavras, do olhar, dos gestos, explícitos e implícitos.

Essa ação minha provoca uma ação no outro, que se torna re-ação, ação de volta, que confirma ou neutraliza a minha ação anterior.

Se eu me sinto confirmado tenderei a ampliar a interação, a querer trocar níveis mais complexos de informação, de sentimento.

Se o interlocutor me confirma essa nova etapa, ampliando o seu campo de interação comigo, aumentarão progressivamente os níveis, a abrangência e a freqüência da comunicação.

Se, pelo contrário, a cada proposta minha de interação, recebo uma resposta crítica, negativa, desqualificadora, procurarei diminuir a aproximação com ele, adotando uma atitude de defesa ou de fuga.

Muitas formas de comunicação se baseiam em trocas "comerciais", de intercâmbio de bens: eu ofereço algo a alguém em troca de algo que ele me dá (um serviço, por dinheiro). Há outras formas de comunicação em que a troca está mais ligada ao afeto, ao vínculo que se estabelece, ao prazer de estarmos juntos, à intimidade que se cria entre duas ou mais pessoas (relações de amizade).

O compartilhamento aumenta quando julgamos menos e nos aproximamos mais; quando vemos, em primeiro lugar, o que temos em comum, o que nos une, as perspectivas que nos complementam. O compartilhamento aumenta se, quando há discordâncias, não fazemos delas o eixo da nossa ação; se podemos discordar sem agredir, sem machucar, sem humilhar,sem alimentar ressentimentos.

José Manuel Moran - ECA-USP

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