04 June 2005

Curso de Ética e Filosofia Política

Curso que deve se converter em livro, em que se articula conceitos-chave de pensamento político com a história da filosofia política.

Começa com o Governo dos Príncipes (Santo Tomás), expondo a negação da soberania e a importância do “bom governo” na política medieval.

Continua com o Príncipe (Maquiavel), que mostra a ruptura moderna com a Idade Média, em que nega a justitia e institui o governante como criador do mundo político.

Prossegue com o Leviatã (Hobbes), que expõe o conceito de soberania, consuma a destruição do pensamento político medieval e permite passar à questão da encenação em política, que se articula com a representação teatral, entendida como enganosa, partindo das imagens cênicas para pensar o contrato.

Engrena na crítica de Rousseau ao teatro e à política, e daí chega à crítica marxista da ideologia.

Conclui com o tema dos alicerces mentais para a dominação política, que Marx chamou de ideologia, que Hobbes prendia ao clero, e que Reich, no século XX, retomando La Boétie e a servidão voluntária, mostrou terem uma presa mais funda que a mera ilusão, estando ancorados já no desejo, e sendo este marcado, como em brasa, pelo poder.

Renato Janine Ribeiro

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